Vida em Ankara
Bem, depois de tanta insistência por parte da Rita e não só, resolvi escrever. Não sei bem do que é que vou falar. O que me vier à cabeça, espero que chegue...
Muitas pessoas me perguntam se foi dificil adaptar-me, se a cultura é assim tão diferente, se se nota muita diferença, relativamente, aos outros países da Europa. A resposta é sim!
As primeiras semanas foram dificeis e ainda continua a ser, não me sinto, totalmente, adaptada.
Não pensem que não estou a gostar, muito pelo contrário, estou a adorar!
Mas aqui é, completamente, diferente de todos os outros Erasmus que já me falaram, principalmente, os que foram feitos em países europeus.
Também há parte de noite, festas e de conhecer muita gente de Erasmus, que há, mas não na minha faculdade.
Mas aqui tenho tido outras experiências que sei que era dificil, se estivesse noutro lado. (Experiências que vou contar, mas não agora)
Na minha faculdade somos 3 de Erasmus. Eu, a Rita e a Anne, uma alemã que vive connosco. Ah e há outra pessoa de Erasmus, que vem da Holanda, mas é turco (emigra). Ou seja, não é considerado de Erasmus.
Foi dificil darmo-nos com outras pessoas de Erasmus, fazem parte de outra faculdade e, são cerca de 200 pessoas. Mas que quando nós os conhecemos, já eles se conheciam todos há mais de um mês, logo, foi dificil integrarmo-nos. Mas como somos dotadas da simpatia e lata portuguesa, lá fizemos amigos!
Outra coisa que é dificil aqui em Ankara é a deslocação. Quando cheguei aqui deparei-me com a maior cidade onde alguma vez já tinha estado, sem contar com Londres. Estou habituada a Lisboa, onde é tudo perto e consigo deslocar-me facilmente e em pouco tempo.
Aqui, é um bocado diferente, a cidade é enorme, com montanhas no meio e, uma das montanhas é onde vivemos. Acreditem é uma montanha! A avenida onde nós vivemos tem a inclinação de uma pista azul. Para descer, até se faz bem, mas para subir, há sítios em que os nossos joelhos quase que tocam no chão.
Ainda por cima, uns amigos nossos turcos, disseram-nos que quando começasse a nevar, o caminho que fazemos para descer para a cidade vai-se tornar perigoso e provavelmente, iremos parar ao chão algumas vezes. Outra das coisas que vai acontecer com a neve é que os autocarros não vão subir a montanha, deixam-nos a meio e o resto é a pé! Estou para ver...
Os autocarros aqui são imensos. Temos os autocarros normais e os dolmus, que são mini buses. Estes mini buses dão para 15 pessoas, mas em horas de ponta acho que vão 30 ou 40 turcos lá dentro. E depois o sistema de pagamento é uma coisa engraçada. Não há bilhetes que se compram antes ou mesmo nos dolmus, paga-se ,directamente, ao motorista enquanto a viagem se dá. Se se tem o azar de se sentar nas primeiras filas, temos trabalho. As pessoas que vão entrando e vão-se sentando nos bancos de trás dão o dinheiro às pessoas da frente para irem pagando e depois temos que dar o troco para trás. Nas primeiras vezes, eu e a Rita não percebíamos porque é que os bancos da frente estavam vazios, agora temos uma pequena ideia.
Quanto à nossa faculdade é, a cerca, de 3o km do centro da cidade, temos que apanhar um autocarro, que pertence à faculdade, todos os dias, que demora 30 minutos a 1 hora, depende do trânsito e quando chegamos... boa, outra montanha. Para além de ser a faculdade mais longe do centro, parece-me ser a mais alta.
Ah antes de dizer o que vejo quando chego à minha faculdade, devo dizer que é privada, aqui na Turquia faz toda a diferença.
Começo por chegar as 8 da manhã com a maior cara de sono do mundo e começam a passar por mim, miúdas, a que eu chamo barbies. Porquê? A produção que elas fazem para ir para a faculdade é provavelmente a que eu faço quando tenho uma festa ou um casamento. Muito pintadas, com os cabelos com penteados estranhissimos cheios de popas e laca, vestidos, saltos altos, malas da Gucci, Louis Vitton, óculos escuros, louras platinadas. Se formos ao parque de estacionamento, vemos carros desde os últimos modelos da peugeot (nada de especial), até BMW, Mercedes, Range Rover, Dodge gigantes e até se vê um Cayenne, mas é só um...
Aqui a cultura é muito parecida à Americana. Conhecem a Gossip Girl? É igual!!
Deve ser por isso que a Gossip Girl é uma das séries mais apreciadas pela elite Turca.
Ou seja, mal entro na faculdade, com as minhas calças de ganga rotas e ténis de Adidas e cara acabada de acordar, sou apreciada por todas as pessoas que se encontram na Cafetaria e começam a comentar. Vá lá, tenho desculpa, sou de Erasmus, não pude trazer a minha roupa toda para não pagar excesso. Está bem?
Segundo, o que a Rita diz porque eu não fui. O sítio para onde esta gente sai, é um género de BBC, onde as pessoas saem para verem e serem vistas, mas ninguém dança, mas bebe tudo e comenta-se tudo.
Quanto à religião, pensei que fosse uma coisa que me fosse "incomodar" mais. Mas não. Muitas vezes vou na rua e começo a ouvir as rezas deles, sim, porque eles têm altifalantes em todas as mesquitas que transmitem as "missas" para a rua. Dá uma certa piada à cidade. Vou ter saudades disso!
Uma coisa que falta em Ankara são jardins e espaços para se ir sem ser centros comerciais. Achava que Lisboa tem muitos, continuo a achar, mas aqui é um exagero. E não são pequenos, são sempre gigantes.
Pequeno pormenor dos centros comerciais. Em todos, temos que passar pelo detector de metais e revistam-nos as malas. Se entrarmos de carro, vêm a parte de baixo do carro com um espelho, à procura de bombas. Não sei se me hei de sentir segura ou não.
E claro, que tinha que perguntar porque é que eles fazem isto, já que em Portugal não é normal. Ao qual eles me respondem: duas a três vezes por ano, o partido político PKK (kurdos) é autor de ataques terroristas, principalmente, nas duas grandes cidades da Turquia, Istanbul e Ankara, por isso, há que haver controlo e segurança.
Senti-me mais segura depois desta explicação? Nem por isso.
Mas ainda não aconteceu nada aqui. Os ataques que têm havido, são todos na parte Este da Turquia, onde os Kurdos vivem.
Já me estou a prolongar demais com o meu comentário, vou parar.
Queria que tivessem uma pequena ideia de como é a minha vida aqui, espero ter conseguido expressar-me bem.
Beijinhos Mariana, ou Meryemce como às vezes sou tratada.

3 Comentários:
Este comentário foi removido pelo autor.
muy bien marianinha! para quem nao sabia o q ia escrever saiu um belo testamento.. bjs as duas, bom Natal ai no meio dos mouros!
Bela descrição. Dá para ver onde vivem e como vivem-
Tudo de bom para s, os maiores sucessos, e, claro, tb para as colegas de "aventura".
Bjs
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